A Verdadeira Fé de Avraham
Um Guia Bíblico para o Caos Religioso Moderno
(baseado em diversas fontes)
I - Introdução
Avraham Avinu, Abraão nosso pai, é considerado por todos o patriarca da fé. Isso é algo
admitido abertamente por praticamente todas as religiões monoteístas em toda a terra.
Ora, se é assim, então certamente que um estudo acerca da fé de Avraham nos revelará
exatamente qual é a verdadeira fé de YHWH, visto que todos concordam unanimemente
que Avraham era um seguidor dessa verdadeira fé.
II – A Aliança de Avraham
Nosso estudo começa em Bereshit (Gênesis) 17:1-12
1. Avram tinha noventa e nove anos. YHWH apareceu-lhe e disse-lhe: “Eu sou El-
Shadai. Anda em minha presença e sê íntegro;
2. quero fazer aliança contigo e multiplicarei ao infinito a tua descendência.”
3. Avram prostrou-se com o rosto por terra. Elohim disse-lhe:
4. “Este é o pacto que faço contigo: serás o pai de uma multidão de povos.
5. De agora em diante não te chamarás mais Avram, e sim Avraham, porque farei de ti
o pai de uma multidão de povos.
6. Tornar-te-ei extremamente fecundo, farei nascer de ti nações e terás reis por
descendentes.
7. Faço aliança contigo e com tua posteridade, uma aliança eterna, de geração em
geração, para que eu seja o teu Elohim e o Elohim de tua posteridade.
8. Darei a ti e a teus descendentes depois de ti a terra em que moras como peregrino,
toda a terra de Kena’an, em possessão perpétua, e serei o teu Elohim.”
9. Elohim disse ainda a Avraham: “Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu e tua
posteridade nas gerações futuras.
10. Eis o pacto que faço entre Mim e vós, e teus descendentes, e que tereis de guardar:
Todo homem, entre vós, será circuncidado.
11. Cortareis a carne de vosso prepúcio, e isso será o sinal da aliança entre Mim
e vós.
12. Todo homem, no oitavo dia do seu nascimento, será circuncidado entre vós nas
gerações futuras, tanto o que nascer em casa, como o que comprardes a preço de
dinheiro de um estrangeiro qualquer, e que não for de tua raça.
Muitas coisas são reveladas neste capítulo. A primeira é que YHWH diz que Ele fará
uma aliança com Avraham, e através dessa aliança, fará de Avraham o pai de muitas
nações, de modo que as nações (no plural) seriam abençoadas através dele. Ora, por que
é que a palavra “nações” aparece no plural? Porque as nações seriam enxertadas na
família de Avraham. Vemos, posteriormente, que isso se cumpre em Efrayim, conforme
profetizado por Ya’akov (Jacó) seu pai.
III – Torá: O Fundamento da Aliança
E qual era o fundamento da aliança de Avraham com
YHWH? Se nos voltarmos para
Bereshit (Gênesis) 26:1-5, encontramos a resposta:
1. E houve uma fome à região (além da primeira fome que houve no tempo de
Avraham), e Yits’chak foi ter com Avimelech, rei dos filisteus em G’rar.
2. YHWH apareceu-lhe e disse-lhe: “Não desças a Mitsrayim; fica na terra que eu te
indico.
3. Habita nela; eu estou contigo e te abençoarei, porque é a ti e à tua posteridade que
darei toda esta terra, e cumprirei o juramento que fiz ao teu pai Avraham.
4. Multiplicarei tua posteridade como as estrelas do céu, dar-lhe-ei todas estas regiões,
e nela serão benditas todas as nações da terra,
5. porque Avraham obedeceu à minha voz e observou os meus preceitos, meus
mandamentos e minhas Torot. (plural de “Torá”)”
Veja que interessante: Por séculos e séculos, teólogos cristãos argumentam que a Torá
de YHWH veio através de Moshe (Moisés), e contudo Moshe (Moisés) viveu cerca de
430 anos depois das promessas serem dadas a Avraham, e de as Escrituras afirmarem
que Avraham cumpria a Torá! Neste ponto, temos as Escrituras dizendo claramente que
Avraham conhecia e cumpria a Torá, pelo menos 430 anos antes de Moshe (Moisés)!
E mais: A essência da aliança de YHWH com Avraham está no fato de que “...serão
benditas todas as nações da terra, porque Avraham obedeceu à minha voz e observou
os meus preceitos, meus mandamentos e minhas Torot.”
Ou seja, YHWH só fez aliança com Avraham porque Avraham cumpria as mitsvot
(mandamentos) e a Torá! Aliás, não apenas com Avraham, mas ao longo de toda a
Escritura, YHWH só faz aliança com quem cumpre os Seus mandamentos. Em
momento algum, encontramos qualquer aliança com YHWH pautada na desobediência
ou no ignorar, ou rejeitar, as leis da Torá!
As leis e mandamentos de YHWH eram conhecidos pelo Seu povo mesmo antes de
serem dadas a Moshe (Moisés.) Mas então, por que é que no Sinai, YHWH deu a Torá a
Moshe?
IV – O Que Houve no Sinai
A resposta é mais simples do que parece: Por causa da escravidão (e, também, da
assimilação) no Egito), o povo havia perdido o conhecimento da Torá. Ou seja, o povo
não estava escravo apenas do ponto de vista físico, mas também do ponto de vista
espiritual. Assim sendo, a experiência do Sinai foi, na realidade, uma reintrodução da
Torá, de um conhecimento que havia sido perdido durante o cativeiro. Embora os
teólogos cristãos ignorem esse fato, os sábios judeus sempre souberam, e sempre
relataram esse fato. Todos os nossos patriarcas eram observantes da Torá, pois essa era,
e é, a essência do relacionamento com YHWH.
Até os tempos de Yossef (José) e seus irmãos, a Torá era passada a cada geração de
forma oral, e foi justamente esse processo oral que foi perdido quando os israelitas se
tornaram escravos no Egito. Isso ocorreu por dois motivos.
Primeiramente, por pressão da nação dominante, pois uma das formas de conquistar um
povo é eliminar desse povo qualquer identidade, herança, costume ou cultura. Além
disso, a religião também pode ser um instrumento de dominação justificada. Dessa
forma, os egípcios forçaram o quanto puderam que os israelitas adotassem as práticas e
costumes religiosos de seus senhores.
Some-se a isso o fator tempo, e a identidade é perdida. Como exemplo, pense agora na
história do Brasil. Pense em quantos costumes os escravos que aqui vieram tinham em
seus lugares de origem. Agora pense em quantos desses costumes foram preservados,
desde aquela época. Pense agora em que proporção desses descendentes ainda seguem
os costumes que foram trazidos por seus pais. Até mesmo os nossos próprios costumes,
400 anos atrás, certamente eram muito diferentes dos costumes atuais. Com uma forma
de transmissão de conhecimento rudimentar (ie. apenas a tradição oral), e em meio a
tanta pressão, não é de se estranhar que o povo tenha esquecido a Torá.
A segunda razão é que quando Yisra’el foi ao Egito, havia apenas cerca de 75 homens.
Porém, quando o povo saiu do Egito com Moshe (Moisés), havia um povo de cerca de 3
milhões de pessoas, contando mulheres e crianças. Evidentemente, o ensino de forma
oral é algo muito difícil de se manter em grupos de grande tamanho. Principalmente, se
forem poucos os detentores daquele conhecimento.
Assim sendo, face à opressão da escravidão, o conhecimento que o povo tinha de
YHWH foi rapidamente se deteriorando, a medida que as gerações passavam. Não é à
toa que tivemos, mesmo após os milagres realizados por YHWH, episódios como o
bezerro de ouro. O povo ainda estava envolto no paganismo da escravidão do Egito.
Assim, temos a história de Moshe (Moisés), com o reestabelecimento da Torá de
Avraham, no monte Sinai, preparando o povo para o ingresso na terra prometida. A terra
que nos foi prometida através da aliança feita com Avraham. Vale lembrar que os
termos da aliança baseavam-se, da parte de Avraham, no fato de que ele caminhava na
Torá de YHWH.
Assim sendo, é importante frizar que a aliança feita com Moshe (Moisés) ao Sinai nada
mais é do que a mesma aliança de Avraham. Aliás, YHWH fez uma aliança com o ser
humano no Gan Eden (Paraíso), e desde então cada aliança estabelecida nada mais é do
que uma repetição da tentativa de aproximar o homem – para maiores informações
sobre essas alianças, leia o nosso livro “Aliança e Identidade”, disponível gratuitamente
nos materiais do grupo.
A única diferença entre a Torá cumprida pelos patriarcas e a Torá de Avraham é que,
devido ao pecado do povo, a kehuná (sacerdócio), que antes era associada à
primogenutura, e praticada de forma mais livre, agora é concentrada na tribo de Levi.
Seria possível tecermos todo um estudo acerca da kehuná (sacerdócio), porém este não é
o objeto e o foco deste estudo.
V – Um Sinal na Carne
Continuando em nosso estudo, vamos para Bereshit (Gênesis) 17:10. Lá, vemos que a
aliança feita com Avraham, da qual muitos cristãos dizem fazer parte, declara de forma
absolutamente transparente que requer circuncisão: “Eis o pacto que faço entre Mim e
vós, e teus descendentes, e que tereis de guardar: Todo homem, entre vós, será
circuncidado.”
Em Galutyah (Gálatas) 3:29, lemos:
“E se vós sois do Mashiach, então vós sois a semente de Avraham, e herdeiros na
promessa.”
Em Bereshit (Gênesis) 17:14 está escrito:
“Assim será marcado em vossa carne o sinal de minha aliança perpétua.“
O que é curioso nessa alegação contraditória dos cristãos é o fato de que a mesma
aliança da qual eles dizem fazer parte também afirma que todo homem deve ser
circuncidado, de modo que o sinal da aliança de YHWH esteja em sua carne. Mas, se
você tentar mostrar essa verdade bíblica a um cristão, pode ser acusado de legalismo.
VI – Avraham: O Legalista?
Se qualquer ato de obediência à Torá, quer circuncisão quer qualquer outra coisa (como
Shabat, festas, festas, etc.) constitui “legalismo”, então, como vimos ao longo deste
estudo, somos forçados a concluirmos que Avraham era legalista. A mesma acusação
que serve para nós, serve também para ele.
O que os teólogos modernos, que declaram serem da “fé” de Avraham e portanto não
estarem “debaixo da lei”, não percebem é que Avraham fazia absolutamente as exatas
mesmas coisas que os levariam a acusá-lo de ser legalista.
À luz de seu entendimento das boas novas – da ressurreição dos mortos e da entrega do
primogênito por remissão dos pecados – ele se propôs até mesmo a sacrificar seu filho
Yitschak (Isaque). Ao fazer isso, Avraham afirma profeticamente sua fé, ao oferecer a
Yitschak, e portanto oferecer a sua própria semente da promessa, isto é, oferecer os seus
próprios descendentes, como sacrifício expiatório. Dessa forma, Avraham ofereceu o
próprio Mashiach como sacrifício, pois Ele era a semente da promessa.
É preciso acordarmos das mentiras que têm nos sido alimentadas há gerações pelo
sistema religioso romano e suas derivações! Avraham não era um homem sem obras, ou
sem obediência, conforme lemos em Ya'akov (Thiago) 2:14-26.
Avraham era um homem de fé, que cria e esperava pela vinda do Mashiach, cumprindo
a promessa à sua semente, mas a fé de Avraham Avinu (Abraão nosso pai) era uma fé de
compromisso, de confiança, de andar segundo a Palavra e as mitsvot (mandamentos) de
YHWH. Enfim, a fé de Avraham era justamente o tipo de fé bíblica, não-etérea nem
puramente intelectual, que seria rotulada de “legalista” pelos teólogos cristãos.
Pensando do ponto de vista moderno, imagine que você está dirigindo em alta
velocidade por uma estrada, ignorando todas as placas. De repente, uma viatura de
polícia te pede para encostar o carro. Ao ser questionado pelo policial sobre seu
comportamento, você responde: “Perdoe-me, policial, mas você não está sendo um tanto
legalista em me multar? Eu sou livre! Afinal, eu estou debaixo da graça, e não da lei,
certo?”
Certamente que essa não seria a coisa mais sensata a se dizer para um policial. Uma
pessoa que segue as leis de trânsito é uma pessoa de responsabilidade, e que anda em
retidão perante a sociedade, e não um legalista. Mesmo assim, muitas vezes as pessoas
que obedecem as mitsvot (mandamentos) de YHWH, ou seja, andam em retidão perante
Ele, são acusadas de serem legalistas. Ao acusarmos quem obedece a YHWH de
legalismo, estamos nos colocando na posição de transgressores, e juízes da Palavra de
YHWH. É como se, na metáfora acima, nós tentássemos dar uma multa ao policial, ou
depreciá-lo por se referir ao nosso comportamento de anomia (ie. ausência de lei.)
Avraham vivia na graça, operando sua fé e esperando na vinda do Mashiach, tal como
nós fazemos (a diferença, evidentemente, é que esperamos no retorno dEle.) De fato, as
próprias Escrituras dizem que os patriarcas conheciam as “Boas Novas”, pois Yeshua
diz: “Avraham, vosso pai, desejava ver o meu dia; viu-o, e alegrou-se.” (Yochanan/João
8:56)
VII – As Boas Novas no Princípio
As “Boas Novas” da restauração estavam presentes desde o princípio – desde os tempos
de Adam. Desde Bereshit (Gênesis) 3:15, vemos a promessa de YHWH acerca do
Mashiach.
De fato, os israelitas desde os primórdios entendiam que a inimizade da mulher com a
serpente faria com que, se eles fossem desobedientes, vivessem sob o jugo da serpente –
mas que o Mashiach os libertaria do jugo do pecado.
Sobre esse texto, o Targum Yerushalmi comenta:
“E será que quando os filhos da mulher considerarem a Torá, e realizarem suas
instruções, estarão preparados para ferirem a ti na cabeça e te materem. E quando os
filhos da mulher abandonarem o mandamento da Torá, e não realizarem suas
instruções, tu estarás pronto para ferí-los nos seus calcanhares, e os machucar.
Contudo, haverá um remédio para os filhos da mulher, mas para ti, serpente, não
haverá remédio. Mas será para aqueles que haverá um remédio para o calcanhar nos
dias do rei Mashiach.”
Avraham, portanto, conhecia as boas novas. Como veremos mais adiante em nosso
estudo, Avraham cria no Mashiach, e andava segundo a Torá. E esse é considerado o
patriarca da fé. Não só isso, mas os próprios Ketuvim Netsarim (Escritos Nazarenos)
nos incentivam a emularmos o comportamento de Avraham.
Assim sendo, podemos ver que a fé verdadeira não é a fé que diz ser de Avraham – isso
o fazem boa parte das religiões monoteístas – mas é aquela que verdadeiramente
encoraja as pessoas a viverem como viveu Avraham.
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